Pornografia na Sociedade Contemporânea

As idéias deste artigo são apenas hipóteses abertas sobre a atuação social da pornografia. Nada aqui precisa ser tido como verdadeiro.

A Pornografia na Sociedade Contemporânea
Natureza do homem ou criação sócio-cultural?

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É cada vez mais fácil usar pornografia. Basta levar um i-phone ao banheiro e a multimídia estabelece uma nova era do consumo pornográfico. O anonimato veio como uma ótima capa de invisibilidade para os pornólatras de plantão.

Muitos tratam desse assunto com rejeição e moralismo. Outros já são mais abertos, mas ainda sim, nesse assunto ainda existe muita hipocrisia. A sociedade não acredita muito que pornografia vicia, e quando acreditam, colocam a culpa em seres das trevas, ao invés de observar o comportamento humano diante desta situação.

A pornografia é um produto sociocultural enraizado há muitíssimos anos, antes sequer das revistas. O mercado atual investe e lucra bilhões em pornografia anualmente. A indústria pornográfica não cresceria tanto, se a pornografia não fosse capaz de viciar.

Só o fato de mencionar que a pornografia pode viciar faz muita gente dar risada. Outras acham simplesmente ridículo tratar desse assunto. Outros acreditam que cabe ao dependente se enfiar no buraco e sair sozinho dele.

Acreditar que o viciado é quem deve cuidar de seu problema é uma reação bastante comum da sociedade pouco solidária em que vivemos. O conceito de que a pornografia não causa problemas e que o viciado é o único culpado pelo próprio vicio, tem relação com a visão propositalmente generalizada, que a grande massa tem sobre o material adulto; como coisa de pervertido ou necessitado.

Alguns especialistas apontam que o uso constante da pornografia tende a comprometer a intimidade conjugal. Os Pesquisadores da Fundação Nacional de Pesquisa e Educação da Família dos EUA, concluíram que “a exposição à pornografia coloca os usuários sob risco crescente de desenvolver tendências de desvios de comportamento sexual”. Eles informam ainda, que os usuários intensos de pornografia chegam a acreditar que as mulheres gostam de ser violentadas.

Existem inúmeras pesquisas dizendo que crianças de 8 anos de idade já acessaram sites pornográficos. Muitos jovens, inclusive, se viciaram na adolescência, sem ter muita consciência do que estavam fazendo. São muitos os depoimentos disponíveis na internet, sobre as horas que as pessoas passam acessando pornografia diariamente, num processo quase incontrolável.

Linguagem Pornô

A pornografia é uma linguagem e precisa ser estudada. Ela é um retrato da sexualidade humana, mas em sua maior parte, é uma referência distorcida da realidade íntima, ou do que ela deveria ser. Por isso, o problema se concentra na forma avassaladora com que a pornografia se aplica no mundo. Lembrando que em cada parte do globo a pornografia é tratada de um modo diferente. O que é obsceno no Brasil, na Holanda pode não ser.

Na internet há exemplos inacreditáveis de cenas bizarras. E muita gente paga para assisti-las. Contudo, o tesão das pessoas não é o foco desta mensagem, mas sim, o que a pornografia está propondo ao público como produto vicioso.

Muito provavelmente, algumas modalidades apresentadas pela pornografia são criadas exclusivamente para angariar mais público. É a formação de uma das facetas da união entre o capitalismo e o sexo. O sexo é um tipo de relação social; logo, de alguma maneira, a pornografia faz parte desse contexto na sociedade.

Até as músicas têm mudado muito ultimamente. Antes o sexo era um elemento especial. Agora, quanto mais explícito for, quanto mais gestos e danças forem assimilados, mais sucesso faz. Mas gosto não se discute. Essa comparação serve para mostrar o crescimento do ideário pornográfico na criação artística, bem como a sua aceitação pelo público.

Como toda propaganda bem-sucedida, o maior objetivo da pornografia é criar desejos. E como toda indústria, a pornografia também visa lucros. Em várias partes do mundo, a cultura é pornificada. No Brasil, isso está na flor da pele. O erotismo se confundiu. A sacanagem e a malícia dos pensamentos invadiram as artes e a mídia. Em propagandas, programas de rádio e televisão, músicas, eventos, filmes, bares e baladas há um forte apelo pornográfico propositalmente implícito, para despertar a libido das pessoas de modo a conduzi-las para outra finalidade, talvez comercial.

A dependência da pornografia é um assunto perfeitamente discutível. Deixar isso de lado pode complicar outros aspectos da vida humana no futuro. É chegado o momento de se discutir os limites entre o consumo inofensivo e o consumo prejudicial. As pessoas não estão só ligadas à pornografia por causa da cultura popular. Muita gente está se viciando aos poucos, mas por outras razões pouco observadas.

O que eu preciso é de menos quimica e mais biologia.
“O que eu preciso aqui é de menos química e mais biologia.”

Repressão Sexual e Pornografia

Em termos de sexo, é um atrevimento muito grande dizer o que é certo e o que é errado. Cada cabeça tem uma sentença. O público só precisa ficar mais atento aos males que a pornografia pode causar na própria sexualidade. Lembrando que se o aspecto moral entrar nessa questão será pela visão pessoal de cada um.

Observando pelo lado dos atores, sabemos que cada um faz o que bem quiser de sua vida, por mais bizarro que pareça. Trata-se de uma opção particular deles. E observando pelo lado dos pornolistas, sabemos que estes são inteiramente responsáveis por aquilo que consomem, já que existe o livre-arbítrio e a possibilidade da opção.

O debate acerca da pornografia não é inútil. De fato, o que cada um faz, o que cada um consome, não vai causar grandes impactos no mundo. A pornografia é mais uma entre tantos outros agentes de excitação. Mas diante deles ela tem um detalhe diferencial: a possibilidade de viciar.

O grande número de consumidores anônimos da pornografia expressa uma teoria: A pornografia se tornou uma fuga perfeita das práticas sexuais institucionalizadas ao longo da história. Ela se tornou um universo fantástico para saciar os desejos mais íntimos do público. Até aí, tudo bem. Mas infelizmente a coisa ganhou um desgaste patológico.

Há muitos anos, o mundo, através de crenças e politicagens, instalou uma série de regras para tentar controlar o comportamento sexual das pessoas. Foi então que a pornografia ganhou área, pois ela deu asas, talvez incontrolavelmente, a alguns costumes severamente reprimidos. Entretanto, “liberar geral” não é a melhor escolha, já que ficou difícil encontrar um ponto saudável para estabelecer a “sexualidade via pornografia” no mundo.

Possivelmente a liberação gradual da sexualidade esteja se dando de forma desenfreada e conflituosa. Apesar da ruptura de tabus ridículos, alguns exageros aconteceram. Talvez por isso haja tanta gente com necessidade doentia de realizar todas as experiências possíveis, mesmo que seja pelo viés da pornografia.

Nesse contexto, o prazer sexual é atingido individualmente ao ser estimulado por uma situação ficcional que tem os efeitos da realidade. É o remédio genérico do mundo real. E como toda droga, os riscos de se viciar são fatos conhecidos.

Pornô dos Sapos
“Pornô dos Sapos”

Pornografia como produto

A influência social da pornografia está vinculada ao consumo. Uma vez que a sociedade precisa do mercado, o material adulto recebe uma conotação de produto. Só que essa indústria abraçou muita gente com alto potencial para o vício. Isso gerou uma rede muito poderosa para avanço do pornografismo.

A sexualidade passou a ter suas necessidades atendidas pelo mercado. A pornografia virou um passa-tempo normal para muitos e uma referência para outros. Isso é bom quando há consciência. Mas a grande parte das pessoas têm se esquecido da imaginação, da ponderação, do estímulo afetivo e emocional. Resultado: dependência, crise, confusão etc.

Não é uma vergonha? As crianças crescem tão depressa!
“Não é uma vergonha? As crianças crescem tão depressa!”

Pornografia e promiscuidade sexual

Outro aspecto oriundo da pornocultura, é o de que o sexo não precisa ser o ápice do amor corporal entre duas pessoas, mas sim, um modo de ganhar prazer individual pelo uso do corpo dos outros. São duas pessoas se usando por interesse e acreditando que isso é bom para ambos, quando na verdade, não passa de uma simples troca de fluídos, sem muita profundidade. Um prazer momentâneo que perde a graça com o tempo.

Note que o problema não é o sexo sem amor. Mas sim, a propaganda que se faz em cima dessa modalidade. Os índices de traição e dependência sexual seriam bem menores se as pessoas tratassem o sexo como uma manifestação de afeto; e a pornografia, como aperitivo ocasional.

A falta de afetividade deve ter gerado experiências negativas para muita gente. Hoje, vemos que ninguém gosta de se comprometer demais com outra pessoa sem antes ter “bagagem” suficiente, adquirida nas “escapadas” da vida. Boa parte da sexualidade atual despreza os valores morais e familiares, para adotar as regras sugeridas pela pornocultura.

Essa visão dos fatos não tem nada a ver com virgindade, pureza ou castidade. Mas sim, com o uso consciente das ferramentas sexuais. É refletir sobre a importância desse contato e usá-lo em situações mais justas e apropriadas. Não é regra, não é pecado e nem moralismo. É só uma questão de respeito consigo e com os outros.

Muita gente acha que esse pensamento é brega, antigo e conservador. Mas será que sair por aí trepando a torta e a direita, com gente que você não conhece direito faz bem para sua saúde mental? É respeitoso para ambos? Qual é o resultado disso? Talvez seja o momento de revisar interação sexual e os impactos que ela causa, como qualquer outra atividade da vida.

E onde entra a pornografia nessa história? Quando mal usada, ela preenche os momentos de culpa, de medo, de estresse, de irritação e inspira discretamente muita gente a buscar suas necessidades sexuais em relações adúlteras, em prostíbulos, ou simplesmente distorce o significado do sexo como atividade amorosa e pode chegar ao ponto de colocar os relacionamentos em crise só por causa disso.

Kevin você esteve assistindo canal cinco novamente?
“Kevin você esteve assistindo canal cinco novamente?”

Monitoração da produção pornográfica

Qualquer tentativa de restringir a atuação dos meios de comunicação é uma ameaça a liberdade de expressão. Mas seria interessante se houvesse uma postura mais rígida em cima da livre exposição pornográfica. Criar uma regra para veicular pornografia na internet não limita a liberdade de expressão. Essa atitude diminuiria o número de viciados, mas de fato, não resolveria o problema.

O mundo todo é testemunha, nestes últimos anos, de como pedofilia e outras tragédias na área da sexualidade afetaram diversas pessoas. Por isso, já se faz urgente a avaliação do papel da pornografia em nossa sociedade escandalosamente apelativa. Afinal, todos sabem que sexo é bom, saudável, revigorante. Mas no que refere a pornografia, chegou a hora de se pensar em um parâmetro saudável para a manifestação pública e artística da sexualidade humana.

A pornografia não é um crime e não precisa ser exterminada. Mas a sua atuação precisa ser observada com mais atenção. Precisa receber um selinho “use com moderação”. Ainda não há ou não se divulga os males da exposição pornográfica. A sociedade ainda não conhece, ou não acredita que pornografia pode viciar, ainda que a longo prazo.

O anonimato dos viciados atrasa o processo de conscientização da massa e dos órgãos públicos. E censurar ou diminuir a circulação do material pornô não resolveria a situação. Cabe ao público, de certa forma, manter a vigilância para não cair na dependência. Uma abordagem mais aberta da pornografia pode minimizar os fatores negativos e impedir que ela se torne um problema social mais sério.

Quantas vezes eu te disse para não olhar as tweenies na internet?!
“Quantas vezes eu te disse para não olhar as tweenies na internet?!”

Usar com moderação: A grande sugestão

A pornografia já faz parte da cultura, está presente em muitos lares. E por isso observá-la com uma visão mais crítica incomoda o senso geral. É engraçado como as pessoas a menosprezam, chamando-a de suja e porca. Mas depois, sozinhas, ficam curtindo revistas e filmes. É normal gostar de uma sacanagem pornô, mas com cuidado para não ser fisgado pelo vício. Por isso cabe a cada um, estipular uma moderação para não tornar esse hábito um costume prejudicial.

Com toda essa imensa dissertação, cheia de hipóteses e informações relativas, a única intenção é realmente despertar a sociedade para os males físicos e psicológicos que a pornografia pode causar, mas sem terrorismo, moralismo, julgamento, perversão ou pecado. Esse quadro precisa ser observado. E os especialistas da mente humana precisam explicar para o mundo, como lidar com a pornografia neste mundo contemporâneo.

O começo da Pornografia da Internet
“O começo da Pornografia da Internet”

7 comentários sobre “Pornografia na Sociedade Contemporânea

  1. Muito interessante o artigo. Me fez repensar, inclusive meu hábito de consumir pornografia na internet.
    Acredito que o grande o problema seja a confusão de valores que existe atualmente, deixando de lado a parte afetiva do sexo.

  2. Muito boa explicação!
    Eu sou prova disso. Era totalmente dependente de pornografia.
    Houve momentos em que eu me masturbava umas 6 vezes em uma unica tarde, assistindo filmes eróticos na net.
    Graças à Deus me livrei disso.
    Através de ensinamentos cristãos percebi o verdadeiro significado de sexo e como devo me portar em relação a isso.

  3. Olá Surfista,

    Que bom que você repensou seu hábito de consumir pornografia, e principalmente, por observar o valor que afetividade tem sobre o sexo.

    Continue firme!

  4. Olá Timão,

    Que bom que você conseguiu controlar seu vício, pois com um hábito tão intenso como era o seu – 6 masturbações com pornô numa tarde – realmente é preciso ter uma vigilância forte e muita determinação para canalizar esta energia em uma finalidade mais saudável.

    Continue firme e não se deixe levar pela culpa, pelo medo e pela auto sabotagem, que é uma das manipuladoras da recaída!

  5. Bom artigo!

    Tenho problemas com este assunto, e espero superá-lo um dia. Ler o comentário do Timão me animou mais.

    Obrigado.

  6. Olá Anônimo,

    Seja persistente, perseverante e faça de tudo o que for saudável e racional para combater o vício. Se possível, busque uma terapia.

    Os depoimentos dos público são sempre muito interessantes.
    Tenha fé e conseguirá.

  7. Como diz o artigo a pornografia traz muitos males a o indivíduo, como foi o meu caso. Quando comecei tinha apenas 7 anos de idade, uma casa muito religiosa, e muita vergonha me fizeram lutar contra esse problema durante mais de 20 anos.
    O mais engraçado era que eu pensava que quando completasse a trabalhar iria parar, depois que quando casasse, depois que quando tivesse uma filho, todavia, nada.
    Hoje posso dizer que sou livre da pornografia. Antes não conseguia passar mais de 2 dias sem me masturbar, hoje digo que passo mais de 2 meses sem ver porno.
    Consegui isso quando percebi que sozinho não dava, e que na mesma fonte de consumo (internet) encontrei ajuda para minha libertação. Sei que como todo dependente preciso tomar muito cuidado para não voltar e devo viver um dia de cada vez.

    Forte abraço a todos e muita força. Você consegue!!!!!

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