Pornografia “ensinando” jovens

O BADPorn comemora o avanço da causa. A mídia vem despertando seus olhares para a questão da pornografia. A Folhateen, caderno da Folha de São Paulo destinada ao público adolescente, abordou temas relacionados ao consumo pornô de uma maneira brilhante na edição de 8 de junho de 2009.

Devido a grandiosa publicação, o BADPorn repassa essa matéria, pois ela é de muita utilidade para pesquisas. Parabéns a equipe que a produziu.

 matéria_folhateen_pornografia

  • O “professor” porn tube

Fenômeno dos sites de vídeos pornôs se prolifera e clipes são vistos por iniciantes como ‘aulas’

DÉBORA YURI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Ok., a gente sabe, você conhece bem o You-Porn, o Redtube e os modernos sites de vídeos pornôs (se você é menina, no mínimo já ouviu falar deles, não?). O que a gente quer saber é: está sendo bom para você?

Com a facilidade de acesso aos clipes pornôs hoje em dia, eles estão virando uma espécie de “aula de educação sexual para iniciantes”. Só que esses “professores” não são exata-mente os melhores…

“Quando eu tinha 12 anos, via filmes de sexo de madrugada no [canal] Multishow, com o volume no mudo, para os meus pais não ouvirem. Agora, é bem mais fácil, é só entrar na internet. Vejo RedTube e YouPorn todos os dias. E grátis, tranquilo e rápido”, diz André*, 17.

“Antes, a gente não tinha muito acesso a pornô. Agora, todos os dias eu vejo vídeos no RedTube, a maioria das vezes sozinho. Falam que esses sites são só para maiores de 18 anos, mas a segurança na internet é incrível”, ironiza Fábio*, 15.

O surgimento dos “YouTubes pornográficos” —e gratuitos— tornaram o acesso a filmes “proibidos para menores” mais fácil do que nunca.

Não é mais preciso ir a uma locadora, comprar um DVD pirata ou assistir a um canal específico na TV paga. Não é necessário nem mesmo baixar um arquivo: basta entrar no site e clicar no vídeo a que se quer assistir, como no YouTube normal. É possível, ainda, fazer buscas pelo tipo de vídeo.

“Os jovens têm muita liberdade na internet e, com a rede, a pornografia está cada vez mais acessível. Seu impacto hoje é diferente do que o exercido nas gerações antigas”, diz a educadora sexual Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan. “O pornô hoje tem influência na educação sexual de quem o assiste, está substituindo a casa de prostituição.”

 

  • Imitando astros pornôs

Vídeos pornôs influenciam principalmente quem está começando a transar, de acordo com os próprios iniciantes.

“Você vê pornôs e fica pensando: ‘Isso deve ser legal, essas posições, esses gestos, esses gemidos’. Aí, quando tem a chance, você tenta imitar mesmo”, diz Vagner*, 15, que perdeu a virgindade aos 14 anos e transou com duas garotas.

“Uma vez, vi uma coisa num filme pornô e quis fazer igual: transar numa posição de gangorra. Os meus amigos todos estavam falando sobre essa gangorra no colégio. Não fa-lei para a menina que tinha visto num site pornô, e ela acabou topando. Foi legal”, conta Fábio, que, recém-saí-do da infância, tinha a companhia do pai para ver filmes adultos na versão antiga, ou seja, pela TV.

Não contar para a menina que está tentando imitar uma artimanha pornô é o “segredo do sucesso”, segundo Eric*, 16, que não tem namorada séria e é um usuário assíduo do site pornô brasileiro Sandrinha.

“Aprendo muito, já imitei posições diferentes. Mas eu nunca falo para a menina que aprendi vendo pornô. Eu finjo que já sabia”

A incorporação da pornografia na cama faz parte da percepção dos jovens de que se aprende mais com a prática do que com a teoria.

“Quando você não sabe direito o que fazer, assiste a um pornô. Mas não se aprende só vendo, tem que fazer o que se viu”, diz Maurício*, 15, que passou “muito tempo da vida” assistindo a vídeos censurados.

“Só que, quando você vai imitar uma coisa que viu num filme pornô, geralmente fica uma droga, porque a plasticidade do filme pornô é uma coisa ‘linda’: não tem cheiro, não tem gosto e ninguém têm pêlos. Desse jeito, fica fácil…”, diz Maurício.

 

  • “Web pornô faz sucesso porque falta educação”

Segundo a educadora Maria Helena Vilela, as lacunas na educação sexual que os jovens recebem é um dos motivos do sucesso da pornografia on-line. “Essa é a referência que eles têm. Eles imitam, mas não têm maturidade nem experiência, muitos não percebem que algumas coisas são montagens. Em geral, assistem, e não têm com quem conversar sobre o assunto. Os pais não conseguem falar sobre sexo ainda”, diz.

Para ela, com os pomos, “os jovens conhecem outras práticas sexuais mais cedo. O que não pode é achar que, para fazer sexo gostoso, é preciso ser mirabolante”.

 

  • Imitação de vídeos “é forçada”, dizem elas

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Dezenas de garotas ouvidas pelo Folhateen disseram que os meninos de sua idade querem transar influenciados por pornografia, mas que isso não implica sexo melhor ou mesmo bom.

“Filme pornô não ensina a ser bom de cama. Quem vê muito esses vídeos e sites não tem vontade própria, não deixa fluir, não percebe o que a mulher quer”, diz Marina*, 17.

“Tem garoto que acha que vai imitar um pornô e vai ser maravilhoso, mas é um desastre. E eles se baseiam numas porcarias, tipo filme da Rita Cadillac”, conta Camila*, 15.

Fernanda*, 17, reclama que o sexo “inspirado” pêlos pornôs “não é espontâneo, é forçado. Eles não sabem o que estão fazendo nem por quê. E, geralmente, querem fazer essas coisas para falar para os amigos. Sexo tem que deixar rolar.”

Ela diz que tem “nojo” dos vídeos pornôs que os meninos ficam vendo e trocando pelo celular no colégio. Mas há meninas que curtem o gênero.

“Eu entro sempre no RedTube. Fiz várias coisas baseadas nesses vídeos, algumas posições diferentes, tipo o homem deitado e a mulher por cima, de costas”, conta Vanessa*, 16.

Para ela, o problema “deles” não é a influência dos pornôs, e sim a falta de experiência, que persiste mesmo navegando pelo RedTube diariamente.

“A maioria dos meninos não sabe fazer igual aos pornôs. Não sabem fazer sexo oral, gozam antes do tempo…”

Daniela*, 16, gostou de imitar cenas de um filme pornô, por sugestão do namorado. “Não foi sem respeito nem violento. Foram várias posições diferentes. Eu achei legal, mas a vontade tem que partir dos dois e tem que haver carinho.”

 

  • Pesquisa mostra influência da pornografia on-line sobre os jovens

80% dos jovens acham que os pais não sabem que seus filhos podem acessar conteúdo pornográfico na internet

63% afirmaram que não discutem sexo abertamente em casa

40% dos homens pensam que seu pênis são menores do que a média põe a culpa na pornografia

28% dos jovens entrevistados disseram ter aprendido sobre sexo assistindo à pornografia

20% relataram ter recebido imagens impróprias não requisitadas em seus celulares, e um em cada sete afirmou que a decisão de fazer ou não sexo tinha sido influenciada por pornografia vista na internet

Fonte: TV Channel 4, em pesquisa com estudantes britânicos de 13 a 17 anos

 

  • Os jovens acessam sites pornográficos?

Sim 26%

Não 42% entre meninos e 6% entre meninas

2/3 dos adolescentes disseram precisar de mais informações sobre sexo

 

  • Freqüentam salas de conversa erótica?

Sim 17%

Não 25% entre meninos e 9% entre meninas

Fonte: pesquisa Jovens Brasileiros, realizada pelo Datafolha em abril de 2008 com um universo de 1.541 jovens de 16 a 25 anos

 

  • Já acessaram sites pornôs

55% Brasil
51% China

O Brasil é campeão mundial em acesso a conteúdo pornográfico na internet, com 55% dos internautas visitando sites eróticos, segundo pesquisa da empresa de segurança virtual Symantec. Em segundo lugar está a China, com 51%

A média mundial é de 41% – sendo que 58% são homens e 18% mulheres.

Fonte: Symantec

 

  • Enquete: Eles mentem?

Perguntamos aos leitores do nosso blog {blog do follhateen} se os jovens responderam a pesquisa acima sinceramente. A maioria, 93% achou que não, as pessoas não admitem que usam pornografia mesmo sob anonimato.

*a enquete em questão não tem valor estatístico

  • Eu aprendo muito ali [nos sites pornográficos], porque você não tem onde se basear. Na primeira transa, você não tem base nenhuma ANDRÉ*, 17
  • Nunca fale pra menina que quer fazer uma coisa porque viu em pornô.
    A maioria delas fala não. Elas podem até curtir, mas não falam que curtem ver essas coisas JORGE*, 17
  • Um tarde, eu estava na casa do meu ex-namorado e ele me mostrou um filme e disse que queria fazer igual. Eu não topei, acho que filme pomo não é legal nem real. LAURA*, 14

(DÉBORA YURI)
*Todos os nomes foram trocados

 

  • SMSexo

Celular vira meio de enviar pornografia feita em casa; prática, que já chegou ao Brasil, é problema legal nos EUA

DA REPORTAGEM LOCAL

Um vídeo “viral” (que se espalha rapidamente e sem controle, como um vírus) de celular com cerca de cem segundos de duração foi o assunto do ano entre os 1.400 alunos do Colégio Estadual Professor Eurico de Figueiredo, na zona norte de São Paulo.
Ó conteúdo do vídeo é inapropriado para menores de idade, mas ele é protagonizado por pelo menos dois adolescentes.

Na gravação caseira, uma aluna de 14 anos do colégio dança de calcinha e sutiã com outra garota, que alunos da escola dizem não estudar lá.

Ao som do funk “Vai Sentando”, de MC Copinho, a aluna do primeiro ano do ensino médio e sua amiga dançam no colo de um homem nu — com o rosto sempre fora de quadro.

Um colega de classe da menina do vídeo conta que o ‘Vazamento” rolou em 2 de abril.

Todos os celulares da sala que estavam com o Bluetooth (tipo de conexão sem fio) acionado receberam o arquivo, afirma. “Eu não sabia o que era até abrir”, diz, rindo.

Nos dias seguintes à “estreia” do vídeo viral, colegas fizeram para a menina cartazes com frases como “fuma comigo!” e “sou seu fã!”, e a chamaram de “estrela”, diz gente do primeiro e do segundo anos.

Quando o Folhateen esteve no colégio, cinco pessoas de classes diferentes mostraram o vídeo na tela de seus celulares. Todos disseram não saber de quem o receberam.

A garota do vídeo não parou de ir ao colégio. Diz que o assunto “vai morrer” eventualmente e que sua família não quer entrar na Justiça

A diretoria do colégio diz ter feito o que deveria “para garantir o bem-estar” da aluna e que não é responsável pelo vídeo, já que ele foi feito além dos muros da escola.

E foi feito também em outras escolas. A reportagem ouviu relatos de casos parecidos (com disseminação de vídeos ou de fotos de garotas nuas) em um colégio particular da capital e em um público de Mairiporã (SP).

Os ensaios tiveram inspiração gringa: nos EUA, o fenômeno se chama “sexting”.

  • Vergonha mortal

“Sexting” é o envio por celular de imagens de si mesmo nu, seminu ou em ação sexual. A palavra vem de “sex” mais “tex-ting”, verbo para o envio de SMS (mensagem de texto).

A moda virou questão legal desde julho de 2008, quando Jessica Logan, 18, se matou, nos EUA. Dois meses antes, Jessica tinha enviado ao namorado uma foto sem roupas.

A imagem se espalhou pela escola, a garota foi humilhada e se enforcou no quarto, contou sua mãe no programa “Oprah”.

Depois de Jessica, centenas de casos parecidos pipocaram na Justiça americana.

A lei do país diz que ter esse tipo de material no celular é possuir pornografia infantil, se as pessoas na foto forem menores de 18 anos. Mesmo que as fotos sejam de si mesmo.

Mas há discussão: um juiz da Pennsylvania impediu que três garotas de 13 a 16 anos fossem processadas pela promotoria pública por posarem de sutiã umas para as outras.

Já um grupo de senadores de Vermont propôs mudar a lei do Estado. Quer que menores de idade não sejam julgados pela lei de pornografia infantil em casos como esses.

Esses senadores têm apoio de associações de pais. Em um manifesto pela distinção entre delito adulto e delito teen, um pai diz: “Jovens serão jovens sempre, com ou sem celular”.

  • 22% das teens americanas já fizeram autorretratos nuas ou seminuas e os enviaram por SMS
  • 33% dos garotos dos EUA já viram fotos eróticas caseiras não destinadas a eles

Fonte: Pesquisa da National to Preveni Teen and l Pregnancy, de 2008

 

  • A vida não imita a arte

DIOGO BERCITO
DA REPORTAGEM LOCAL

Quando a consultora de marketing inglesa Cindy Gallop, 49, esteve no Brasil, aproveitou para tentar a famosa “brazilian wax” —depilação completa da virilha. Voltou para Nova York e ninguém reparou que havia algo de diferente lá embaixo.

“Era o jeito como as coisas deveriam ser, para os homens”, justificou Cindy em entrevista por telefone à Folha.

Para ela, o ato de assistir à pornografia, somado à ausência de educação sexual em casa e na escola, faz com que os jovens aprendam a fazer sexo a partir de fantasias.

Com base em exemplos como o que viveu, Cindy criou o site Make Love Not Porn (apenas para maiores de 18 anos), em que compara o que acontece na cama com o que rola nos fumes pornôs — para não deixar nenhuma duvida de que não são a mesma coisa.Veja abaixo algumas das comparações.

FAÇA AMOR, NÃO PORNOGRAFIA

* do site http://www.makelovenotporn.com 

No pornô

<<<<< >>>>>

Na real

As mulheres ficam instantaneamente lubrificadas quando o homem toca o dedo na vagina

PRELIMINARES

1

Beijar, tocar, acariciar: no mundo real, tudo isso colabora para aquecer a garota

As mulheres adoram ser xingadas na cama

PALAVRÃO

#!

Não são todas as mulheres que se excitam com termos ofensivos

É bom salivar o máximo possível em cima de tudo

SALIVA

,

Algumas mulheres gostam de beijos molhados e de lambidas; outras não

Todas as mulheres adoram sexo anal

SEXO ANAL

*

Muitas mulheres não gostam da idéia. Alguns homens tampouco.

As mulheres gozam independentemente de terem o clitóris estimulado

CLITÓRIS

(:)

Precisa haver pressão na região para fazer uma mulher gozar. Dedos e língua podem ser usados

As mulheres curtem que ejaculem na cara

EJACULAÇÃO

~ ~^´; ._

Algumas não gostam. Depende só do gosto pessoal

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